- O FMI reporta entradas de criptomoedas de US$ 59 bilhões na Nigéria de julho de 2023 a junho de 2024, impulsionados pelo uso de stablecoin em pagamentos.
- As stablecoins ganharam força devido à depreciação da naira, alta inflação, restrições de câmbio e baixos custos.
- O FMI alerta que stablecoins podem minar a demanda por nairas e defende uma regulamentação e supervisão mais rigorosas.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que as stablecoins se tornaram uma ferramenta significativa de pagamentos transfronteiriços na Nigéria, com entradas de criptomoedas de US$ 59 bilhões de julho de 2023 a junho de 2024. Famílias e pequenas empresas estão usando stablecoins via smartphones para remessas rápidas e pagamentos aos fornecedores, aliviando as fricções em meio à volatilidade da naira.
FMI relata o crescente uso de stablecoin na Nigéria em pagamentos transfronteiriços
Em 16 de junho de 2026, o FMI publicou um artigo intitulado “Stablecoins na Nigéria: Um Canal Transfronteiriço em Crescimento”, destacando a rápida adoção das stablecoins na Nigéria para pagamentos transfronteiriços. Famílias e pequenas empresas nigerianas estão dependendo cada vez mais de smartphones, carteiras digitais e stablecoins indexadas ao dólar americano para remessas e transações internacionais.
Desde 2019, a Nigéria responde por cerca de 60% dos fluxos de stablecoin na África Subsaariana, destacando seu papel dominante na adoção regional de criptomoedas. A Nigéria recebeu aproximadamente US$ 59 bilhões em entradas de criptoativos entre julho de 2023 e junho de 2024.

Fonte: IMF NEWS
A Nigéria ficou em segundo lugar globalmente no Índice Global de Adoção de Criptomoedas de 2024 da Chainalysis e em sexto lugar em 2025. A Nigéria também introduziu uma stablecoin regulada atrelada a nairas (cNGN), embora opções lastreadas em dólares continuem dominando devido à preferência dos usuários por estabilidade.
Por que as stablecoins estão ganhando força na Nigéria
As stablecoins estão ganhando força na Nigéria devido à instabilidade macroeconômica persistente. Alta inflação, desvalorização da naira e escassez de câmbio reduziram a confiança na moeda local. Como resultado, os usuários recorrem cada vez mais às stablecoins atreladas ao dólar para preservar o valor e manter o poder de compra em um ambiente econômico incerto.
Os altos custos de pagamento transfronteiriço também impulsionam a adoção. Canais tradicionais de remessa cobram cerca de 8–9%, tornando as transferências caras e lentas. Stablecoins oferecem liquidação quase instantânea com taxas significativamente menores, frequentemente abaixo de 1–2 por cento. Essa eficiência os torna atraentes para remessas, renda de freelancers, pagamentos comerciais e transações comerciais internacionais.
Restrições de acesso financeiro reforçam ainda mais o uso. A infraestrutura bancária limitada e as restrições passadas a serviços relacionados a criptomoedas levaram os usuários a se voltarem para plataformas peer-to-peer. Combinado com a penetração de smartphones, as stablecoins tornaram-se facilmente acessíveis, permitindo que populações não bancarizadas e com subbanco participassem de pagamentos digitais, poupança e comércio transfronteiriço usando apenas dispositivos móveis.
Qual é o impacto na demanda por Nairas?
O FMI alerta que o rápido crescimento das stablecoins atreladas ao dólar americano na Nigéria pode contribuir para a dolarização digital, o que reduz a demanda pela naira e representa riscos monetários. Essa dinâmica pode prejudicar a transmissão da política monetária interna, dificultando que o Banco Central da Nigéria influencie a atividade econômica por meio das taxas de juros e outras ferramentas.
Como resultado, o FMI enfatiza que a resposta mais eficaz não é a proibição, mas sim fortalecer a confiança na naira por meio de políticas macroeconômicas sólidas, ao mesmo tempo em que coloca as atividades de stablecoin sob a regulação adequada.
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