- Jerome Powell alertou contra a destituição de funcionários do Fed devido a divergências de política.
- Em seu discurso, Powell descreveu o Federal Reserve como passando por um “teste de estresse”.
- Powell permanece no Conselho de Governadores do Fed até janeiro de 2028, após renunciar ao cargo de presidente.
O ex-presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, usou seu primeiro discurso público desde que deixou o cargo principal para lançar um alerta sobre a pressão política sobre o banco central dos EUA.
Falando ao receber o Prêmio John F. Kennedy Profile in Courage em Boston, Powell disse que o Federal Reserve enfrenta um “teste de estresse” e argumentou que sua capacidade de operar de forma independente é fundamental para manter a confiança pública.
As declarações vieram poucas semanas após o término do mandato de Powell como presidente, em 15 de maio, e Kevin Warsh assumir a liderança do banco central.
Powell reage contra a interferência política
Powell não mencionou diretamente o presidente Donald Trump, mas seus comentários vieram em meio a uma série de confrontos entre a administração e o Federal Reserve.
A administração Trump pressionou por taxas de juros mais baixas, apoiou investigações sobre estouros de custos relacionados ao projeto de reforma da sede do Fed e buscou remover a governadora do Fed, Lisa Cook, do Conselho de Governadores.
Powell alertou que permitir que governos demitissem funcionários do Fed por desentendimentos de política criaria um precedente perigoso.
Ele afirmou que, se uma administração conseguisse remover funcionários do banco central de suas decisões políticas, futuras administrações provavelmente seguiriam o mesmo caminho. Nesse cenário, a confiança pública no processo de tomada de decisão do Fed enfraqueceria porque a política monetária poderia ser vista como movida pela política e não pela análise econômica.
Segundo Powell, a credibilidade construída pela instituição ao longo de décadas continua sendo um de seus ativos mais valiosos.
Por que Powell está permanecendo no Fed
Ao contrário da maioria dos ex-presidentes do Fed, Powell não deixou o banco central após o término de seu mandato de liderança. Ele permanece como membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, onde seu mandato vai até janeiro de 2028.
Sua decisão impede a Casa Branca de preencher imediatamente mais uma vaga no conselho de sete membros. Isso também ocorre enquanto a disputa judicial em torno da posição de Lisa Cook continua.
Cook processou após a administração tentar removê-la do cargo por alegações relacionadas a pedidos de hipoteca antes de seu tempo no Fed. Tribunais inferiores decidiram a seu favor e permitiram que ela permanecesse em seu cargo enquanto o caso avançava pelo sistema jurídico. A disputa chegou agora à Suprema Corte dos EUA, que deve emitir uma decisão ainda este ano.
Powell já indicou anteriormente que preocupações com ameaças à independência do Fed influenciaram sua decisão de permanecer no conselho após deixar a presidência.
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A independência do Fed se torna o principal debate
Um tema central do discurso de Powell foi a separação legal entre política e política monetária.
Ele argumentou que o Congresso intencionalmente projetou o Federal Reserve para operar de forma independente de interesses políticos de curto prazo. Segundo Powell, administrações de ambos os partidos políticos historicamente respeitaram essas proteções porque ajudavam a manter a confiança no banco central.
Powell disse que os funcionários do Fed deveriam ser avaliados pela qualidade de sua análise econômica, e não pelos resultados políticos.
Ele reconheceu que os formuladores de políticas cometem erros e apontou para a responsabilidade do Fed de ajustar o rumo quando ocorrem erros. No entanto, ele enfatizou que as decisões devem ser baseadas no que beneficia a economia como um todo, e não em qualquer partido político ou representante eleito.
Os comentários constituem uma das maiores defesas públicas de Powell à independência do Federal Reserve desde que deixou a presidência.
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