- O banco central do Brasil afirmou que imporá atrasos de 24 horas em algumas transferências de criptomoedas acima de $10 mil a partir do próximo ano.
- Mira fundos ilícitos provenientes de golpes e ransomware, já que stablecoins são frequentemente usados para burlar verificações de segurança.
- A regra levanta questões sobre o que significa maior fiscalização das transações para usuários legítimos de criptomoedas.
Em 7 de agosto de 2026, o Banco Central do Brasil anunciou que algumas transferências de criptomoedas enfrentarão atrasos de até 24 horas sob as novas regras antifraude que entrarão em vigor no próximo ano. A medida mira transferências superiores a US$ 10.000 para empresas estrangeiras de ativos virtuais ou carteiras de autocustódia, medidas por transação ou por total diário de clientes, enquanto golpistas exploram a velocidade cripto.
Por que o Brasil está atrasando algumas transferências de criptomoedas
O banco central do Brasil anunciou que certas transações de criptomoedas estarão sujeitas a um atraso de 24 horas como parte de suas novas regulamentações antifraude previstas para 2027. O banco central atribuiu a medida ao uso crescente de ativos virtuais, como stablecoins, para transferir rapidamente fundos provenientes de fraudes financeiras. A medida ocorre enquanto o Brasil enfrenta um grave problema de fraude digital. De março de 2025 a fevereiro de 2026, houve aproximadamente 34 bilhões de tentativas de golpe digitalmente, com uma estimativa de US$ 3,9 bilhões perdidos por 16,5 milhões de pessoas.
Golpistas exploram a velocidade das stablecoins, a disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, e a relativa facilidade de transferir valor entre fronteiras ou para carteiras não controladas. No Brasil, as stablecoins representam cerca de 80% ou mais dos volumes declarados e mais de 90% da última demanda nos dados do banco central, dos quais o USDT (Tether) representa a grande maioria.
O Brasil é o maior mercado cripto da América Latina, com estimativa de US$ 318 bilhões em valor on-chain recebido entre meados de 2024 e meados de 2025 e um total de US$ 14,68 bilhões em ativos cripto adquiridos durante o primeiro semestre de 2026, sendo uma parcela significativa desse valor atribuída a stablecoins.
O que o atraso de 24 horas significa para os usuários
A regra exige que os provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs) retenham transferências qualificadas por até 24 horas para que possam realizar análises adicionais de risco, due diligence e escrutínio antes da conclusão. Não é um “congelamento de ativos” e transferências não são permanentemente barradas; Os fundos podem ser liberados mais cedo se os riscos forem adequadamente enfrentados.
Além disso, aplica-se a transferências superiores a $10.000 enviadas para empresas estrangeiras de ativos virtuais ou carteiras de autocustódia, acionadas por uma única transação ou pelo total de transferências de um cliente em um dia. Transferências menores no varejo não são afetadas e continuam operando em alta velocidade. Por exemplo, se um usuário estiver transacionando $15.000 em Bitcoin ou stablecoins, pode levar até um dia inteiro para processar.
Será que a abordagem do Brasil poderia se tornar um modelo em outro lugar?
Monitoramento mais rigoroso pode tornar o ecossistema mais seguro ao adicionar uma janela, que bloqueia sinais de alerta, interrompe golpes e aumenta o potencial de recuperação. Essa lei visa a vantagem do “quick move” que os criminosos possuem no mercado, onde as stablecoins facilitam transferências globais instantâneas. No entanto, atrasos podem levar a uma menor conveniência para usuários legítimos e aumentar os custos.
Enquanto isso, levanta a questão de saber se retenções preventivas semelhantes se espalharão para outras jurisdições que buscam equilibrar a prevenção de fraudes com a livre circulação de ativos. Singapura aplicou bloqueios ou retenções em pagamentos digitais suspeitos por pelo menos 24 horas, enquanto a Coreia do Sul implementou atrasos padronizados de saque de 24 a 72 horas para combater o hack de voz e golpes relacionados. A abordagem do Brasil pode influenciar outros países que enfrentam fraudes habilitadas por criptomoedas, enquanto os países estudam seus resultados após o lançamento de 2027.
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